TU ÉS IMPORTANTE / Celso Ferruda
Certa vez, um doutor disse-me numa conversa: "Tu és muito importante!" Dentro de minha cabeça, os pensamentos começaram a conflitar-se entre si, e os neurônios pareciam não saber onde estava o cérebro diante de uma palavra tão forte quanto a daquele homem, perante minha humildade.
Ao acordar pela manhã, ainda com o orvalho sobre as folhas, comecei a observar a tamanha diferença entre o mais humilde e o mais abastado, diante do brilho do sol sobre as coisas e aquelas pessoas que realmente dão importância ao seu semelhante e lançam um raio de luz sobre aquele que se julga inferior ou menor que a todos.
Quando os raios de luz não refletem, não há brilho sobre as folhas, tudo fica opaco. Como a verdade e a mentira, como a bondade e a indiferença; a verdade e a bondade se transformam em luz e te dão caminhos prósperos e iluminados quando empregadas. Enquanto a mentira e a indiferença têm a capacidade de te carregar por abismos e por trevas sem fim.
Comecei então a observar os pequenos seres, como a formiga, o gafanhoto, a joaninha, as borboletas, as abelhas... As pequenas mudas no viveiro, os insetos espalhados por toda parte, até as pedras e espinhos, e que todas elas tinham sua importância para estarem ali naquele local... Percebi que eu também estava inserido num gigantesco universo que gira e que gera.
Neste universo, percebi também que tudo pode completar-se, mesmo sendo diferente ou muito diferente. Que tudo pode se transformar quando um valoriza a importância do outro, por menor que se julgue em seu universo. Que não é necessário todos terem a mesma função ou capacidade, mas o que torna o mundo mais belo e intenso é justamente o brilho que um e outro possui e pode transmitir.
E a luz ou a sombra que o outro projeta sobre aquele que se julga ser menos ou mais importante. Pude perceber nesta manhã a diferença entre quando os raios de luz refletiam sobre o orvalho nas folhas e sobre as pétalas de rosas e antes de gerar o brilho sobre as mesmas. Quanta diferença!
Quanta diferença também existe num letrado que sabe valorizar aquela vida de semelhante. Que é capaz de colocar-se no lugar e dizer: "Hei, meu amigo, para que possamos somar, teremos que agirmos juntos. Tu vais contar tuas histórias, eu irei ouvi-las; assim como eu contarei as minhas e tu prestarás atenção. No final, ambos sairemos ganhando, pois tu levas um pouco da minha riqueza pelas minhas histórias e, por consequência, eu levarei um pouco de ti, pelas tuas. E ambos passaremos a ser importantes, um na vida do outro".
Tu és importante por seres como és. Eu serei importante para ti se não mudar minha essência de humanidade. Ao me transformar, deixarei de ser eu. Deixarei de ter importância por buscar outro universo diferente da minha essência humana na qual fui gerado para exercitar.
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