terça-feira, 7 de abril de 2026

 


 


Na crucificação do poema / Paulo de Vargas
Crucifiquei os meus medos
e preguei as mãos vazias,
nesta mente de ironias
pus a coroa de espinhos,
arrastei-me nos cantinhos,
senti a ira do meu ego
sem temer a dor do prego
querendo os mesmos caminhos.
Arrastei para o calvário
toda a minha crueldade,
carreguei junto a inverdade,
que só me provocou trauma,
e as horas que bati palma
nos estranhos vilarejos,
de alguns inúteis desejos
só querendo às custas da alma
Comigo, a mãe poesia,
vendo triste, torturar-me,
e a inspiração com seu charme,
a deusa que dá valor
ao meu ser compositor,
viu no final do poema
ressuscitar do dilema
numa ascensão de escritor.
Outono de 2026
Estância Velha-RS

"O Montenegrino"


A OfIcIna de Alfabetização de Adultos da ALVALES, sob a coordenação da acadêmica Zulma de Bem retornou às atividades no dia 1º de abril de 2026. Parabéns à colega Zulma pelo brilhante trabalho!




 O Crepúsculo da Existência

Aida Pietzarka
Estamos aqui apenas de passagem, somente para aprendizado e evolução, mas o tempo final da existência parece sempre injusto e cruel, iguala a todos, os diplomas e títulos se tornam inúteis, nenhum deles passa a ser critério de uma morte mais digna ou menos dolorosa.
Fortunas acumuladas durante toda uma existência seriam facilmente trocadas por mais alguns meses ou anos de estadia nessa dimensão.
Quanto tempo desperdiçamos com coisas inúteis, vaidades desnecessárias, brigas sem propósitos.
A finitude do corpo físico deveria ter mais importância no dia a dia, para nos manter cientes do que realmente tem valor.
Os abraços que distribuímos, o amor que espalhamos, a atenção que damos aos que nos rodeiam são os maiores tesouros que podemos acumular nessa breve existência.
É triste ver pessoas que amamos chegarem aos 80, 90 anos e saber que a finitude nessa existência está próxima. Só nos resta amá-los ainda mais para que o crepúsculo de sua existência seja leve, feliz e cheio de paz.