terça-feira, 30 de junho de 2026



 LITERATURA DE CABO VERDE

(Retirado da página do Instagram de Sid Fontoura)

Como nos demais países africanos que foram colonizados por Portugal, a língua oficial é o português utilizada em livros, jornais, televisão e rádio. Embora a constituição nacional exija medidas de paridade entre a língua portuguesa, a língua herdada do colonizador, e a língua materna, o crioulo cabo-verdiano, utilizada por quase todos os habitantes do país e que ganhou mais prestígio a partir da independência país, essa paridade ainda não foi conseguida.
O crioulo cabo-verdiano ou Kriolu é um continuum de dialeto de um crioulo baseado no português. Existe uma literatura substancial em crioulo, especialmente no crioulo de Santiago e no crioulo de São Vicente. As diferenças entre as línguas dentro das ilhas têm sido um grande obstáculo no caminho de padronização da língua. Algumas pessoas têm defendido o desenvolvimento de dois padrões: um norte (Barlavento), centrado no crioulo de São Vicente, e um sul (Sotavento), centrado no crioulo de Santiago. Manuel Veiga, PhD, linguista e Ministro da Cultura de Cabo Verde, é o principal defensor da oficialização e normalização da Kriolu.
De uma maneira bem generalizada, quando pesquisamos sobre a literatura em Cabo Verde é comum encontrarmos a confirmação de que essa literatura é uma das mais ricas da África Lusófona, repleta de poetas famosos como Paulino Vieira, Manuel de Novas, Sergio Frusoni, Eugénio Tavares e B. Léza e Armênio Vieira que embora tenha produzido em prosa é mais reconhecido como poeta. Destacam-se também os prosadores como Baltasar Lopes da Silva, António Aurélio Gonçalves, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, Henrique Teixeira de Sousa, Felisberto Vieira Lopes (Kaoberdiano Dambará)[1], Dina Salústio, Germano Almeida e vários outros.
Muitos críticos e estudiosos consideram a literatura de Cabo Verde como uma das mais importantes da África Ocidental, sendo também uma das mais produtivas dentre as literaturas africanas escritas em língua portuguesa. Embora a maioria das obras literárias seja escrita em português, há livros escritos em crioulo cabo-verdiano, francês e, nomeadamente, inglês.

Fonte:Roberta Maria Ferreira Alvesi/https://www.letras.ufmg.br/
Imagem: Ilustrativa.

 


A mesma visão /Paulo de Vargas
Mirei olhares nas retinas alheias,
compus versos nas veladas rimas ditas,
criei estrofes nas nuvens infinitas,
sentei-me nos bons banquetes de umas ceias,
fui guarani sob olhares dos jesuítas.
Caminhei nos rastros dos desbravadores
e segui dos sapientes uma linha,
fui dos verões migratórios, andorinha,
dos sedentos olfatos por belas flores,
vi a escrita de Pero Vaz de Caminha.
Vi a resistência de Machado de Assis
que a boa literatura bem relata
numa espécie de nó que não se desata,
pois existem "Assis" com outros perfis
lutando contra uma ideia escravocrata.
Inverno de 2026
Estância Velha-RS
Paulo de Vargas
"O Montenegrino"

quinta-feira, 25 de junho de 2026

 


 Da Adaptação à Colaboração: Um Caminho para a Evolução Humana

"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças." Essa afirmação foi cunhada pelo professor e escritor norte-americano Leon C. Megginson em 1963 ao interpretar a Teoria da Evolução e do conceito de "Seleção Natural" de Darwin. Mas e se fôssemos além da adaptação e complementássemos essa teoria?

Poderíamos dizer que os grupos humanos — e até mesmo as espécies do reino animal e vegetal — que perduram, são aqueles que desenvolvem a capacidade de colaborar. Isso porque, apesar do individualismo crescente entre os humanos, dependemos uns dos outros desde o nascimento. Vivemos em comunidade para nos proteger, aprender, compartilhar recursos e evoluir. Sendo assim, a colaboração vai além da escolha ética; ela é uma estratégia de sobrevivência presente na própria natureza.

Nessa convivência, crescemos, sobrevivemos e, enquanto seres humanos, nos desenvolvemos não apenas como espécie, mas também como indivíduos. Por isso, gosto muito de uma frase que diz: “O maior desperdício não é o de água, mas o de potencial humano.” E ele é desperdiçado, posso afirmar, em grande parte pela falta de colaboração que, se fosse mais abundante no mundo, poderia, além de oferecer condições mínimas de existência, proporcionar uma organização social mais justa, onde oportunidades, recursos e reconhecimentos fossem mais bem distribuídos. Com a cooperação ocupando o lugar da competição, teríamos menos guerras, menos pessoas morrendo de fome, etc.

Imersos neste contexto, seguimos lutando para sobreviver, muitos e muitos em busca do mínimo - e um pequeno grupo, do excesso. O paradoxo é que esses últimos procuram sentido para a vida por meio da aquisição de produtos que prometem felicidade, mas que, na verdade, são superficialidades alimentadas pelos excessos; ou seja, tentativas de preencher vazios que não podem ser ocupados por bens materiais e que revelam carências muito mais profundas: de pertencimento, propósito, conexão e humanidade.

Não só de consumo material, existe também um excesso de imagens e palavras (informações) que sobrecarrega a todos nós. O grande escritor Mia Couto nos alerta que essa sobrecarga nos anestesia e nos desconecta de nós mesmos, levando a um estado em que perdemos a capacidade de escutar o outro e de sentir o mundo. Em resumo: o excesso acaba fazendo a nossa vida perder o “sentido”.

Em um diálogo com meu ex-professor de Filosofia, Claiton Pokorski, hoje neuropsicanalista e terapeuta integrativo, debatemos sobre o desafio crescente das pessoas em realmente se relacionar. Existe uma dificuldade de, nas palavras dele, “olhar nos olhos do outro, de conversar, de dar espaço, de ouvir de verdade, sem interromper...” No bate-papo, ele destacou, ainda, a importância da escuta ativa a fim de gerar pertencimento ao ser escutado e de ser validado pelo olhar do outro, não no sentido de concordar, mas de fazer a pessoa se sentir vista, percebida.

Nas redes sociais e no dia a dia, todos falam e todos se mostram, mas poucos observam e escutam de verdade. Já virou clichê dizer isso, mas, de fato, nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão distantes.  

Com base nisso, tenho a impressão de que precisamos fazer o caminho de volta. Que fique claro: isso não significa negar a tecnologia, a modernidade ou as novas formas de comunicação, mas fazer com que, apesar das ferramentas existentes, voltemos a escutar, a colaborar, como faziam as comunidades na época do escambo, em que a sobrevivência estava diretamente ligada à capacidade de troca por meio da qual cada pessoa tinha algo que outra necessitava. 

Portanto, considerando a necessidade que se tem de ser escutado e visto, talvez, o simples fato de escutar com presença já seja uma demonstração de colaboração que, sem dúvida, dá sentido à existência, salva vidas e, portanto, contribui com a evolução de indivíduos e da espécie humana. 

Patrícia Pedrozo

Jornalista e agente de viagens
MTB 0020373/RS


segunda-feira, 1 de junho de 2026

 Quando a Capoeira Encontra a Literatura

Durante o Encontro dos Mestres da Capoeira com a Garotada, realizado no dia 29 de maio de 2026, na Praça Punta Del Este, em frente ao Bourbon Shopping, o Acadêmico Ivanio Fernandes Habkost participou da divulgação da literatura produzida pela Academia Literária do Vale do Rio dos Sinos (ALVALES).

Na ocasião, foram apresentadas ao público as antologias da Academia, bem como as obras de autoria do acadêmico. O evento também contou com a distribuição gratuita de exemplares, aproximando a literatura da comunidade e incentivando o acesso à leitura entre crianças, jovens e adultos.






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