segunda-feira, 6 de julho de 2026

 


Se o tempo... / Paulo de Vargas
Gostaria de ser o tempo num momento
para ver-me mateando com certo alguém,
voltando a um passado sem nenhum lamento,
e que por certo ao coração faria um bem.
E, se o tempo me desse o seu olhar de antanho,
seria o meu melhor passado mais presente,
repontaria lembranças no meu rebanho
no campo saudade da minha própria lente.
Quem sabe o vento tão místico assobiasse
uma valsa para girar qual redemoinho,
e o Deus do amor pra nós lindamente cantasse,
florindo como sempre este nosso caminho.
Queria que o tempo voltasse minhas horas,
outrora manhãs num comungado café,
e num entardecer junto a outras senhoras,
rezava os meus sonhos num rosário de fé.
Como eu queria, mas fico só no querer,
o tempo não dá esta mística visão,
por enquanto fico sonhando com seu ser
como se escutasse uma infindável canção.
Inverno de 2023
IVOTI RS
Paulo de Vargas
"O Montenegrino"

 ENCONTRO "RECONHECIMENTO E VALORIZAÇÃO"



Na tarde dedicada ao Encontro de Apreciação Literária "Reconhecimento e Valorização", a Academia Literária ALVALES teve a alegria de receber a escritora e jornalista Patrícia Pedrozo, querida colega da Academia.

A obra Resquícios de Intelecto, Alma e Coração foi o centro das reflexões da tarde, despertando nos participantes emoções, lembranças e importantes discussões. Com uma escrita sensível e envolvente, o livro proporcionou momentos de apreciação literária, incentivo ao senso crítico e ricas trocas de ideias entre os presentes.

O encontro também contou com dinâmicas inspiradas nos textos da obra, tornando a experiência ainda mais participativa e significativa. Entre conversas, leituras e partilhas, os participantes desfrutaram de de um agradável chá, acompanhado de biscoitos e salgadinhos.

Emocionada com a recepção, Patrícia Pedrozo definiu o carinho recebido com uma expressão que resumiu perfeitamente o espírito da tarde: foi um verdadeiro "quentinho no coração". Uma frase simples, mas capaz de traduzir a essência de um encontro em que a literatura aproximou pessoas, fortaleceu vínculos e reafirmou o papel dos livros como instrumentos de sensibilidade, reflexão e transformação.

 


terça-feira, 30 de junho de 2026



 LITERATURA DE CABO VERDE

(Retirado da página do Instagram de Sid Fontoura)

Como nos demais países africanos que foram colonizados por Portugal, a língua oficial é o português utilizada em livros, jornais, televisão e rádio. Embora a constituição nacional exija medidas de paridade entre a língua portuguesa, a língua herdada do colonizador, e a língua materna, o crioulo cabo-verdiano, utilizada por quase todos os habitantes do país e que ganhou mais prestígio a partir da independência país, essa paridade ainda não foi conseguida.
O crioulo cabo-verdiano ou Kriolu é um continuum de dialeto de um crioulo baseado no português. Existe uma literatura substancial em crioulo, especialmente no crioulo de Santiago e no crioulo de São Vicente. As diferenças entre as línguas dentro das ilhas têm sido um grande obstáculo no caminho de padronização da língua. Algumas pessoas têm defendido o desenvolvimento de dois padrões: um norte (Barlavento), centrado no crioulo de São Vicente, e um sul (Sotavento), centrado no crioulo de Santiago. Manuel Veiga, PhD, linguista e Ministro da Cultura de Cabo Verde, é o principal defensor da oficialização e normalização da Kriolu.
De uma maneira bem generalizada, quando pesquisamos sobre a literatura em Cabo Verde é comum encontrarmos a confirmação de que essa literatura é uma das mais ricas da África Lusófona, repleta de poetas famosos como Paulino Vieira, Manuel de Novas, Sergio Frusoni, Eugénio Tavares e B. Léza e Armênio Vieira que embora tenha produzido em prosa é mais reconhecido como poeta. Destacam-se também os prosadores como Baltasar Lopes da Silva, António Aurélio Gonçalves, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, Henrique Teixeira de Sousa, Felisberto Vieira Lopes (Kaoberdiano Dambará)[1], Dina Salústio, Germano Almeida e vários outros.
Muitos críticos e estudiosos consideram a literatura de Cabo Verde como uma das mais importantes da África Ocidental, sendo também uma das mais produtivas dentre as literaturas africanas escritas em língua portuguesa. Embora a maioria das obras literárias seja escrita em português, há livros escritos em crioulo cabo-verdiano, francês e, nomeadamente, inglês.

Fonte:Roberta Maria Ferreira Alvesi/https://www.letras.ufmg.br/
Imagem: Ilustrativa.

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