Algumas pessoas não são apaixonadas pelo que fazem, apenas o fazem porque algo externo ou emocional os motiva, e certamente em alguns momentos se sentem inseguros por esta ou aquela razão, e isto pode levá-los a preferir o isolamento, tanto pela insegurança, quanto para se afastarem dos críticos de plantão. Durante nossa juventude fizemos escolhas que julgamos serem importantes, para que só algum tempo depois percebermos que na verdade não significam nada. No final acabamos por assumir e conviver com o mundo que criamos, nem sempre tendo dele o retorno desejado. Mesmo assim, o mundo que criamos ainda se torna menos doloroso que o mundo real, e isto serve como alento em alguns momentos. Então sozinhos, a solidão nos abraça, envolvendo-nos em uma paz perigosamente viciante. Libertos do mundo, tudo que vivenciamos escrevemos, e fizemos isto para salvar as coisas enquanto elas ainda estão vivas, próximas, pois com o tempo elas tendem a desaparecer, se as escrevemos elas permanecerão. Ninguém escreve nada além daquilo que esta em sí mesmo, dentro da nossa alma, em nosso subconsciente, dentro do mundo que criamos. Tudo ao nosso redor se torna evanescente, transitório, com sua genuinidade ponderada a cada dia, aquilo que você admira hoje, amanhã poderá não ter o mesmo significado. Mundo utópico, quimérico, mundo do escritor.
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