CORA CORALINA
Cora Coralina, nome literário de Ana Lins dos Guimarães Peixoto (1889–1985), é um dos grandes exemplos de como a poesia pode florescer em qualquer circunstância. Dona de apenas a terceira série primária, conseguiu transformar sua sensibilidade em versos que até hoje encantam leitores de diferentes gerações.
Durante boa parte da vida, sustentou-se como doceira, profissão que conciliava com a escrita, quase sempre mantida em silêncio e como atividade íntima. Somente aos 76 anos publicou seu primeiro livro, surpreendendo o meio literário pela maturidade e beleza de sua obra.
Curiosamente, chegou a ser lembrada para integrar a Semana de Arte Moderna, mas, por imposições do contexto familiar, não conseguiu participar. Mesmo assim, construiu uma trajetória ímpar, marcada pela simplicidade e pela força de sua voz poética.
Ofertas de Aninha (Aos moços)
Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
que vai ligando a família humana
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências
do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
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