quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 


UM É O OUTRO - O PIANO - (Liti Belinha Rheinheimer)

O humano é como a tecla de um piano. Sozinha, uma tecla nada vale. Assim, o humano. Sozinho, pouco vale. As teclas, unidas, tocadas por um pianista, alcançam melodias incríveis. Assim, os humanos, unidos, dirigidos por um bom líder, alcançarão grandes feitos.

 

Palmeio esta cuia na mão...
Palmeio esta cuia na mão
Que por regalo recebi,
Numa alegria guarani
Evocada na tradição,
Vinda em formato de canção
Sonorizado em melodias,
Das Cantigas de poesias
Que no bom sentimento treme,
Da abreviação do W. M.
Mestre das boas cantorias.
Palmeio esta cuia na mão
Em profundo agradecimento,
E para ecoar pelo vento
Toda esta minha gratidão,
E que por toda vastidão
Escutando a boa vaneira,
De quem não refuga a bandeira,
Nos galpões do grandioso pago,
A cantiga tornou-se afago
Na voz do cantor da Palmeira.
Palmeio esta cuia na mão
Mateando a pura amizade,
Abençoada pela Deidade
E dos farrapos da nação,
De quem cumpre a boa missão
De interpretar o pago em flor,
Taura missão do cantador
Dar às noites xucros embalos,
Dos "De gaúchos e Cavalos",
Do bagual Corcoveador.
Palmeio esta cuia na mão,
Para falar da idolatria,
Que por cantar com tal mestria,
Fez-me por fã nesta amplidão,
Com a sua interpretação
Confirmou os meus ideais,
Por não cantar fatos banais,
Porém o campo e o cavalo
Que eu agradeço o bom regalo
Gracias, dom Walther Morais.
Primavera de 2026
Estância Velha-RS
Paulo de Vargas
"O Montenegrino"

 


SE QUINTANA ESTIVESSE VIVO
Celso Ferruda

Ah, se Quintana estivesse vivo,
Caminhando pela Rua do Arvoredo,
Inspirando-se para mais um livro,
Eu não queria morrer tão cedo.

Queria andar na praça, lado a lado,
Conversando um pouco de tudo,
Tomar um café na mesa do mercado
E ouvir aquela voz ecoar pelo mundo.

Pediria que me ensinasse a ver poesia
No simples caminhar, na simplicidade,
E a fazer amigos com tanta alegria.

Queria ver o pôr do sol, como ele via,
Convidar mais um amigo a poetizar
E apanhar-me pelo braço: “Que alegria!”

 



A SABEDORIA DA MADEIRA
( Celso Ferruda)
Como uma semente silenciosa sob a terra, a vida começa no silêncio.
Ali, longe dos olhos, algo se transforma, cresce e prepara-se para romper a escuridão. Talvez a madeira possa nos ensinar justamente isso: como crescer em meio aos conflitos sem perder a essência.
A criança também nasce envolta em silêncio. Nele, desenvolve-se, até que sua primeira manifestação diante do mundo seja o choro. É o primeiro rompimento do silêncio; é a vida anunciando a própria existência.
A madeira cresce. O tronco surge, os galhos se expandem, e o vento, ao atravessar suas folhas, transforma o silêncio da mata em movimento. Ela não reclama da força que a curva, nem da chuva que a fustiga. Apenas permanece, aprendendo a resistir.
Na mata, porém, chega o homem. A árvore é ferida, cortada e transformada em sustento. Ainda assim, antes de partir, oferece flores, frutos e sementes, deixando na terra a promessa de uma nova vida.
Ela enfrenta os ventos e, silenciosamente, contribui para o equilíbrio da natureza. Oferece ar, sombra, abrigo, alimento e, de tantas maneiras, participa da vida que nos cerca.
Mas o homem, muitas vezes, deixa de observar os animais. Eles são reveladores. Seus movimentos anunciam a harmonia ou o perigo; sua alegria revela a saúde da mata; seu medo denuncia a presença daquele que, tantas vezes, chega sem perceber que também depende daquilo que destrói.
A madeira serve de abrigo e cumpre sua missão em silêncio. O homem, porém, quebra esse silêncio com o martelo, com a serra e com a ambição. Constrói, mas também destrói. Retira da natureza aquilo que lhe sustenta e, muitas vezes, sem perceber, semeia a escassez de amanhã.
Há quem receba aplausos, prêmios e reconhecimento, mas não consiga contemplar o silêncio. Escuta tanto a própria voz que já não percebe o chamado da natureza. Convence outros a segui-lo, enquanto a mata, silenciosamente, parece pedir apenas uma coisa: que o homem aprenda a ouvir.
A madeira possui uma sabedoria que não precisa de voz. Seus anéis contam histórias; suas marcas revelam o tempo; suas raízes testemunham a permanência. Ela parece escrever, em silêncio, antigos mandamentos para a humanidade. Mas o homem não ouve.
A madeira abandonada apodrece, assim como também pode apodrecer aquilo que há de essencial no ser humano quando ele deixa de cultivar seus princípios.
A madeira conservada transforma-se em memória.
A madeira viva representa a própria vida.
A madeira em pedaços pode lembrar o homem destruído, que já não encontra forças para se reconstruir.
A madeira reaproveitada simboliza princípios que ainda podem ser resgatados.
E a madeira queimada transforma-se em cinzas, como o ser humano que consome a si mesmo naquilo que escolheu destruir.
Então, a mata silencia.
A madeira apodrece.
A chuva deixa de cair.
Os animais desaparecem.
A vida, pouco a pouco, perde seu lugar.
E talvez, quando o homem finalmente perceber o que fez, já não haja madeira suficiente para lhe ensinar novamente.
Porque a madeira nunca precisou falar para ensinar.
Nós é que precisamos aprender a escutar.

 PARTICIPAÇÃO  NA FEIRA DO LIVRO DE ESTÂNCIA VELHA

Os acadêmicos Jorge Remi Hansen e Paulo de Vargas participaram ativamente da Feira do livro em Estância Velha. Parabéns a estes escritores que tanto nos enchem de orgulho!



 ENCONTRO PRODUTIVO SOBRE O LIVRO  "TUDO SOBRE O AMOR", DE BELL HOOKS


O encontro realizado no dia 30 de setembro de 2026,  promovido pela acadêmica Eliane Anselmo, foi um sucesso!



  UM É O OUTRO - O PIANO - (Liti Belinha Rheinheimer) O humano é como a tecla de um piano. Sozinha, uma tecla nada vale. Assim, o humano....