Quisera que os homens da guerra... / Paulo de Vargas
Quisera compor para os tais homens da guerra
de não querer colher da terra, sangue e dor,
quisera através das minhas humildes rimas,
trocassem de climas e entendessem o amor.
E quisera que este manuscrito que lavro,
não adotassem escravos na triste seita,
trocassem armas por livros de poesias,
unindo todos os dias, esquerda e direita.
Quisera que cada estrofe fosse bem lida
fosse recebida por algum mandarín,
que os canhões cessassem os doloridos prantos,
florindo novos cantos num belo jardim.
Quisera que a minha figura de linguagem
levasse mensagem feito bandeira branca,
onde o mundo fosse uma certa porta aberta
sem precisar de alerta, bem menos de tranca.
Quisera compor o final das tais batalhas,
sem número de mortalhas numa poesia,
quisera que aquele olhar triste de cifrão,
visse em cada irmão o mesmo sol do seu dia.
Verão de 2026
ESTÂNCIA VELHA-RS
"O Montenegrino"
Nenhum comentário:
Postar um comentário