MULHER, DEFENDA-SE! / Liti Belinha
Em seguida à primeira olhadela
emergiu daquela troca simples paquera.
Mais tarde a violência mostrou a ela
ter sido aquele sonho apenas quimera.
Daquele primitivo olhar ao sorriso recíproco a afabilidade no coração entusiasmou-se despertar.
Para a vida toda esse calor oferecerá o troco?
Ou até que se acabe o amor pelo infeliz atemorizar?
O quanto no namoro vale um beijo
vindo dos lábios alucinados da paixão,
se ele num ato absurdo lhe quebra o queixo depois de triste sem fim discussão?
Uns apertos aqui, outros chamegos na cama,
algumas carícias depois de juntados os trapos.
Dali a pouco diante da fúria a queixa cotidiana, as nádegas feitas bifes molhados malpassados.
A linda e suave pele de alface lisa e sedosa oferece ela às mãos que lhe parecem carinhosas.
O que ela menos sonha e espera por agora é no futuro com olho de beterraba ir-se embora.
Da calma dos nervos às várias veias
o correr do sangue se fez acelerar.
Já se foi o ardor que circulava a seiva,
por necessário o coração desaprovar.
Que amor é esse que tempos atrás dava prazer?
Que ilusão era enxergar nele um humano ser!?
Mulher, defenda-se! Onde existe homem perfeito?
O que já foi ardor pode no futuro ser malfeito?
O amor, no entanto, é divino sem violência!
Há de haver quem seja ao menos respeitoso, quem, sendo imperfeito, ofereça paciência...
E saiba dar à amada mulher o prazer gostoso!
São Miguel do Oeste (SC), 30-12-2019
(retificado em 04-01-2020, revisado em 17-02-2020, publicado em 2025 na p. 60 da Coletânea Imortais VIII)
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