Na crucificação do poema / Paulo de Vargas
Crucifiquei os meus medos
e preguei as mãos vazias,
nesta mente de ironias
pus a coroa de espinhos,
arrastei-me nos cantinhos,
senti a ira do meu ego
sem temer a dor do prego
querendo os mesmos caminhos.
Arrastei para o calvário
toda a minha crueldade,
carreguei junto a inverdade,
que só me provocou trauma,
e as horas que bati palma
nos estranhos vilarejos,
de alguns inúteis desejos
só querendo às custas da alma
Comigo, a mãe poesia,
vendo triste, torturar-me,
e a inspiração com seu charme,
a deusa que dá valor
ao meu ser compositor,
viu no final do poema
ressuscitar do dilema
numa ascensão de escritor.
Outono de 2026
Estância Velha-RS
"O Montenegrino"
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