A Cigana do Rio Paraná
(Releitura poética da musica Pescaria da Cigana)
Noé Teixeira
Fui pescar no entardecer manso,
mas o rio, num breve remanso,
me tomou a alma e o olhar.
Entre os juncos veio dançando,
com véu de bruma e luar,
seus olhos iam chamando
quem ousasse ali ficar.
Tinha perfume de vento,
voz de reza e tentação,
falava em meio ao silêncio
como quem cura o coração.
Disse: “Ando os rios do mundo,
sou fado, destino e mar.
Do Paraná ao Prata profundo,
ninguém me pode evitar.”
E eu, que buscava o dourado,
caí na rede do amor
fui peixe mal enredado
nas águas do seu sabor
Dizem que o rio ainda guarda
seu riso de encanto e véu,
e o Paraná, quando alarga,
leva os sonhos para o céu.
Eu, rendido ao seu feitiço,
já não quis mais despertar
a cigana, em um só sorriso,
virou meu rio e meu mar.
09.10.2025
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